quinta-feira, 12 de maio de 2016

Há dias assim


O sonho é a futilidade do limiar
para o abismo do subconsciente.
É uma nuvem na solidão do mar
que vagueia no silêncio da mente.

Sem sol, deixei de querer sonhar
neste lugar nebuloso e abstinente.
Inerte! cheiro a brisa do tempo passar
embriagando a alma num olhar ausente.

Mas estes são os dias em que se cresce.
Os dias que transparecem a dor do fim
num momento que nos isola e adoece.

Dias que deves dizer à vida que estás afim
e na gratidão desse amor que não desvanece
exarar no pontão da memória: Há dias assim.



Fotografia: Paula Silveira Costa

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A sedutora luz da bonança


Sinto que é no silêncio que me lês.
Na penumbra dessa dor que se cala.
Escuto de ti gritos zelosos de surdez,
disfarçados nesse silêncio que fala.

Mas compreendo-te a falta da nitidez
que te ciosa a alma e que tanto te rala.
Não percebendo tu que essa insensatez
te consome nesse ciúme que te embala.

Valoriza quem te acompanha na viagem,
e liberta-te dessa detenção da lembrança.
Acorda! Sai dessa dispneizante fuselagem,

e volta a respirar a sedutora luz da bonança.
Ama! Respeita quem não vive à tua imagem,
e estima, olhando para a vida com esperança.

Fotografia - Paula Silveira Costa

terça-feira, 5 de abril de 2016

Sentes o tempo na ferrugem das vigas


Sentes o tempo na ferrugem das vigas,
enquanto o olhas de soslaio, pensativa.
Focas-te na lente que regula as intrigas,
e diminuis a distância da expectativa.

Não, és de todo, como as outras raparigas.
Transformas-te perante a alma da objectiva.
Tens personalidade, não vais em cantigas,
e seduzes a vida sem quaisquer tiques de diva.

O tempo! esse... alicerçou na nossa memória,
momentos, que tal como este que descrevo,
serão a base de toda esta intemporal história.

Acredita. O ontem será um dia de relevo,
se fizeres do hoje a tua, breve, dedicatória
ao amanhã que desse olhar tanto devo.

Fotografia - Paula Silveira Costa (Página My Eyes)

Desdobra a mente



Ambulo, constantemente, de luvas postas
para não deixar quaisquer impressões digitais.
Nelas… apreendo o peso da Vida às costas
suportando, em dor, nossas almas surreais.

Resisto, na procura das corretas respostas,
forçando a palma à desconfiança dos demais.
Das suas trepidezes faço-as de supostas,
e foco-me nas nossas memórias intemporais.

As dores, minhas, bloquearam-me o escrever.
Mas descobri que quem depende não sente
a exaltação deste sentir único que é o Viver.

E sustento-nos, nesta imagem que não mente,
aguardando que o tempo te mostre que o Ser
é aquele que perdoa e desdobra a mente.

Fotografia: Paula Silveira Costa

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sem ti... nada sou


Sem ti... nada sou,
disseste-mo num abraço ausente.
Eu em ti... sei que estou,
preso nessa âncora permanente:

O coração. Local para onde vou
quando me sinto só e carente.
Refúgio que por nós sei que o dou
numa entrega profícua da mente.

Amigos que nos embustes da Vida,
de mãos dadas, encontrarão a saída,
por mais que ela se torne cruel e lenta.

Companheiros de alma e coração
assim será a nossa apresentação
perante o destino que se apresenta.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Viver na sombra



Viver na sombra de um sonho desfeito
é viver uma vida amorfa e alienável.
É sentir que o amanhã será miserável
se não se expulsar esse espectro do peito.

De pés firmes, mesmo que tímidos e sem jeito,
deves procurar dançar perante o imaginável.
Deves ser maior que esse espírito putrefeito
e alforriar-te para uma Vida imensurável.

Vai! Voluteia nessa luz que em ti habita
e transforma o cinzento, na mais bela cor,
através dessas sapatilhas de ciganita.

Descalça-te, do peso dessa tácita e árdua dor
e na alegria que esse, tão teu, sorriso cogita,
eleva-te livre e devolve a claridade ao amor.


Fotografia: Paula da Silveira Costa

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Não estaciones o coração.



Não estaciones, no Se, o coração.
É o melhor conselho que te dou.
Não por achar que tenho razão,
mas por o sentir no Todo do que Sou.

Deixa-o voar livre e sem direção
nas asas daquele que te tocou.
E se no futuro voltares ao chão
não significa que o amor te largou.

Não tenhas medo de ir atrás da felicidade.
Ousa sentir-te Viva sem a vil ansiedade
de uma queda pelos outros assignada.

Arrisca! Sente a Vida a correr pelas veias.
E faz desses instantes genuínas odisseias
dando à pele o arrepio de voltar a ser amada.

Fotografia: Paula da Silveira Costa