Escrita, que escutando as circunstâncias da vida, reflete os meus estados de alma. Escrita Autónima e Ortónima, que utilizo para expulsar a minha loucura interior.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Alter ego bipolar
Podes ter o seu corpo no acordar,
mas no sonhar a sua alma é minha.
Podes beijar a sua pele a cada deitar,
que ela sem meu toque fica sozinha.
Ela contigo pode ter o hábil conforto
de viver uma tranquilidade controlada.
Mas também viverá no sonho morto
de uma vida intensamente apaixonada.
Linha a linha coserás seu, belo, coração
tendo como agulha o amor dependente.
No nó final desatarás a dor da desilusão
já que o seu adeus foi frio e permanente.
Aceito a derrota com total clarividência
perante a força desse poder angelical.
E viverei na sombra desta impotência
que faz do teu inferno um paraíso banal.
E termino, esta odisseia de amor ermita
agradecendo-lhe pelo acordar do dom
que voltará a dormir para se preservar.
Desisto! Exausto de varrer pela escrita
o pó de um amor que faz da dor o tom
da batuta deste, uno, alter ego bipolar.
Poema oferecido ao meu Amigo Paulo Coutinho para a sua página Espasmos d'Alma.
terça-feira, 12 de julho de 2016
Expetativa
Somos usados para os fins tido convenientes
por quem nos circunda nesta selva humana.
As teorias relacionais são meros
expedientes
para justificar a cruel subsistência na
savana.
Amigos. Familiares. Cônjuges. Dependentes.
Aqui ou ali anularão no limite do seu
nirvana
princípios de vida que se tornarão
prurientes,
transfigurando ética numa falsa membrana.
O superior equívoco do amor é a expetativa
que credencias em volta da palavra beijada
por quem te ajuízas ver como prerrogativa.
O da amizade é quando começares a achar
que a expetativa, que doas de forma velada,
te irá alimentar de um momentâneo julgar.
Fotografia: Paula Silveira da Costa
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Anjo sombrio
Entregue ao silêncio da exaustão,
fecho os olhos para me esquecer.
Apoio-me no muro da recordação
e descanso as asas deste sofrer.
O mar já não afaga o coração,
e o sol já não o quer aquecer.
Resta-me o sossego da solidão
para carpir o motim do perder.
As asas já não detêm a ligeireza
de me guiar ao chão da verdade.
Porém, hoje tenho esta certeza:
Sou um sem abrigo sem o rio
onde desaguava a liberdade
deste alumiado anjo sombrio.Fotografia: Paula Silveira da Costa
domingo, 26 de junho de 2016
Espiral da Saudade
O amor é a morte da respiração
abraçada pela apneia da felicidade.
É uma faca de tristeza no coração,
livre na masmorra da invisibilidade.
Amar é ajustar as velas da razão
para navegar na espiral da saudade.
É saber respeitar a dor da decisão
mesmo que ela te fira a humanidade.
A Vida foi-nos dada para ser sentida
na procura da absolvição pelo amor,
mesmo que condenada num bem maior.
E não para ser racionalizada pela dor
que na pureza dos olhares se valida,
sorrindo num doce uníssono: "É a Vida".
Fotografia: The spiral - Paula Silveira da Costa (Página My eyes)
para navegar na espiral da saudade.
É saber respeitar a dor da decisão
mesmo que ela te fira a humanidade.
A Vida foi-nos dada para ser sentida
na procura da absolvição pelo amor,
mesmo que condenada num bem maior.
E não para ser racionalizada pela dor
que na pureza dos olhares se valida,
sorrindo num doce uníssono: "É a Vida".
Fotografia: The spiral - Paula Silveira da Costa (Página My eyes)
terça-feira, 21 de junho de 2016
Desistir
A gente não desiste do que quer.
Desiste simplesmente do que dói.
Pertenças palavras de um ignoto.
Seja de um Homem ou da Mulher,
ou daquela amizade que nos mói,
desiste-se pelo cansaço indevoto.
Desistir é não querer continuar.
É não arrostar o seu Adamastor.
É abster-se da exultação do sonhar
por um íncubo matizado de Amor.
Jamais se deve desistir do encanto da Vida
por mais que a sua razão esteja de partida.
Desistir… Nunca foi, é ou será o caminho.
É não arrostar o seu Adamastor.
É abster-se da exultação do sonhar
por um íncubo matizado de Amor.
Jamais se deve desistir do encanto da Vida
por mais que a sua razão esteja de partida.
Desistir… Nunca foi, é ou será o caminho.
Fotografia: Paula Silveira Costa
sábado, 18 de junho de 2016
Na clarividência do acordar
Perdoa-me!
Só te quis dizer
o que tinha para chorar.
Lágrimas presas
num eterno doer
que despejadas de defesas
fizeram as cordas vocais gritar.
Perdoa-me!
Não te quis desrespeitar,
mas a dor que me invade
rasga-me e fico sem saber
se me afundo na saudade
se me afloro na verdade
de nos ver a definhar
num amor que sabe respeitar
mas que tem de se perder.
Perdoa-me!
Mas ele nunca irá acabar.
Aliás… não há nada a perdoar.
Absolutamente nada.
Apenas a agradecer.
Não me perdoes, estás a ver.
Antes elogia-me o enlouquecer.
Por através da nossa almofada,
fazer de ti a minha fada,
e nela, de prazer, te encantar.
Perdoa-me!
Ou não! Já não sei o que escrever.
Afinal, acabei por teus lábios beijar
Tenho uma mente, alucinada,
que no algodão dessa pele amada,
tudo faz para te dar prazer.
Na tua, por aí andarei até morrer,
a sentir no sangue a fervilhar
palavras de amor ditas no olhar.
E se te elevo a cada adormecer
é na clarividência do acordar
que sei que apenas andei a sonhar.
Porque não te consigo desprender
desta alma que teima em te amarrar.
Perdoa-me!
Só te quis dizer
o que tinha para chorar.
quarta-feira, 15 de junho de 2016
A memória é um silêncio com esperança
A memória é um silêncio com esperança
que bate colérica nas muralhas da mente.
Tal como o mar, ela desgasta e avança,
levando, sem piedade, tudo à sua frente.
As fendas estão à vista de toda a gente
encalhadas nesse pontão da lembrança.
Ao longe vejo um amar inconsequente
a massacrar uma rocha alheia à mudança.
Mas se amar é adormecer na tua alma,
apesar de na minha a tua acordar calma,
então que se sonhe no frio da realidade.
Porque a dor maior que a de esquecer,
um Amor, é aquela que nos faz perder
o que se julgava ser a autêntica Amizade.
Fotografia: Paula Silveira Costa
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